O TK82-C

Em 3 de Outubro de 2014.


A Microdigital sem dúvida alguma foi a empresa mais icônica de informática dos anos 80. Certamente qualquer pessoa da área com mais de 30 anos teve contato ou pelo menos ouviu falar de algum TK (abreviação de Tomas Kovari, engenheiro, projetista e co-fundador da Microdigital).

O Sinclair ZX80 nessa época já era febre na Inglaterra devido ao baixo preço. Conta-se que na época haviam filas grande de espera, tamanha era a demanda pelo micro. De olho na novidade para o mercado nacional, a Microdigital anuncia simultaneamente seus dois clones, o TK80 e o TK82 (ainda sem o "C"). Segundo conta a história, o TK80 ficou apenas sob forma de protótipo, enquanto o TK82 vendeu poucas unidades.


Na foto, o que seria o TK80, provavelmente scan de alguma revista.

Enquanto isso, nessa mesma época a Sinclair lança na Inglaterra o seu novíssimo ZX81 que seria a atualização de hardware do ZX80 com novos recursos extras: um modo "SLOW" que permitia a atualização de tela durante o processamento e com a nova ROM de 8kb com comandos matemáticos de ponto flutuante. Como a diferença de hardware na prática era pequena, rapidamente a Microdigital colocou no mercado o TK82-C ("C" de Científico em alusão às novas funções).


Curiosamente a caixa do TK82-C faz menção ao TK80, mas não ao TK82. É possivel ver também um layout em vermelho do label do micro, que ao que parece não é muito comum.


Numa revista da época cheguei ainda a ver um terceiro layout do micro, dessa vez a cara do ZX81, mas com assinatura da Microdigital e label do TK82-C e a TK Printer, item prometido, mas não lançado no mercado brasileiro.

Bem, deixando as suposições de lado, o TK82-C que esteve na minha bancada, externamente é o que parece ser o mais comum, apesar deste micro ser bem raro nos dias de hoje.


O teclado é de membrana fosca, colada diretamente sobre a placa de circuito impresso.


Na lateral esquerda temos a entrada de joystick, provavelmente o mesmo utilizado no TK85.


Além da etiqueta prateada da Microdigital, numerada com 11 82 (novembro de 1982?), existe uma etiqueta branca com outra numeração que poderia ser o número de série. Mas porque cobrir o nome do fabricante e CGC?


O sistema de fechamento da tampa do micro é bem curioso: apenas um pino plástico espetado numa trava. Não se preocupavam muito com lacre e perda de garantia, ao que parece.


A placa desta versão, praticamente o ZX81, inclusive com uma ULA(!)


Mais detalhes





O Alexandre "Tabajara" gentilmente cedeu uma foto do TK82C dele que está sem o dissipador, confirmando que a ULA é uma original Ferranti. Também podemos ver os detalhes dos pads do teclado, onde a membrana, com bolhas condutivas, pressionam fechando o contato para cada tecla.


O amigo Renato Kodaira também me enviou fotos do TK82C que ele possui, mas com uma placa diferente da minha versão. As fotos a seguir são do Renato que me deu autorização para a publicação.

Notadamente a membana do teclado dele também é diferente, lisa e brilhante.


A placa extra seria a da função SLOW, como no upgrade do ZX80 para o ZX81.


A expansão original de memória tem um rebaixo ao lado do conector, porque o gabinete tem uma pequena "asinha" na parte de trás e não permitiria o encaixe se fosse reto.


O circuito é simplíssimo, apenas as memórias, uma lógica de seleção e um oscilador baseado num 555 para gera a tensão negativa de alimentação.


Nos ZX81-compatíveis a expansão externa levanta a linha /RAMCS, desabilitando qualquer memória interna. Logo, se essa interface fosse conectada por exemplo num TK85 com 48kb de RAM, ele sofreria um downgrade, ficando apenas com 16kb.

Quanto a questão da ULA no meu TK82C, na verdade não cheguei a me espantar, porque a Microdigital usou ULAs da Ferranti em pelo menos três máquinas diferentes que eu já tenha visto. Nas fotos abaixo, temos um TK85 e um TK90X, ambos com ULAs Ferranti, idênticas às inglesas.


O mais interessante que em conversa com um ex-funcionário da Microdigital ele tenha garantido que as ULAs era somente usadas para estudo (leia engenharia reversa). Porém claramente a Microdigital teve acesso a grandes lotes desses CIs para produção de exemplares de micros nacionais.

Agora, as dúvidas:
A Sinclair repassou os CIs para a Microdigital? (duvido muito, visto que a Sinclair processou a Microdigital por causa de clonagem de micros)
A Microdigital comprou lotes e mais lotes de micros e depenou? (duvido mais ainda, visto os custos disso)
A Ferranti agiu de má fé, vendendo propriedade intelectual de terceiros para a América Latina? (duvido muito mais ainda, porque suponho que leis lá fora já funcionavam nessa época)

Enfim, provavelmente nunca saberemos a real resposta.

Agradeço aos amigos Renato Kodaira e Alexandre "Tabajara" pelas fotos e autorização de uso

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