O TK90X Argentino

1 de Maio de 2012

Dias atrás o amigo Sebastián Abreu me enviou uma foto da placa do TK dele pedindo algumas dicas para conserto, mas vi imediatamente que se tratava de uma versão completamente diferente de todos ou outros que eu já tinha visto. Claro, fiquei bastante curioso quanto ao micro e pedi se ele poderia fazer mais algumas fotos e fui prontamente atendido com uma bela sessão de quase 30 imagens. Portanto, a maioria das fotos desse artigo são de autoria do Sebastián usadas aqui com autorização dele.


Externamente não existe nenhuma diferença.


A etiqueta do número de série está ilegivel na parte de baixo e o micro apesar de ser do mês 06 não diz de que ano.


Na placa as diferenças são gritantes: a memória foi dividida em três bancos de 16kb, usando oito CIs em cada banco. Um detalhe também interessante é que a ROM tem a inscrição "Sinclair" e provavelmente é a do Spectrum 48, mas como o micro não funcionava, não pudemos comprovar. Não temos o LM1886 o que sugere que a ULA esta gerando direto o video em YUV necessário para o LM1889 fazer a conversão para RF. Fiquei realmente intrigado com isso quando vi a primeira foto que o Sebastián me enviou e tudo levava a crer que a ULA desse era analógica, ao contrário da nossa nacional. Também não existe o CI do buffer do teclado, então a ULA também estaria processando a leitura internamente.


Na parte de baixo da placa, nenhum tipo de adaptação ou gambiarra para a tal ULA funcionar. Então pensei: se é analógica e tem pinagem, ao que parecia, identica a do Spetrum original, devia ser a própria ULA dele, ou no minimo uma versão clonada por aqui.

Enviei um e-mail então ao Claudio Cassens, ex-funcionário da Microdigital que trabalhou no projeto da ULA nacional. Perguntei a ele sobre uma possível versão diferente de ULA da própria Microdigital e ele logo descartou a possibilidade. E olhando a foto, achou tratar-se de apenas mais uma versão de placa da Microdigital com a ULA nacional.

Ao Sebastián, pedi que se possível ele fotografasse a ULA sem o dissipador, mas infelizmente ele não conseguiu arrancá-lo por causa da quantidade de cola, mas me enviou uma foto interessante da parte de baixo do chip.


Temos a inscrição 6C001E, exatamente a mesma da ULA do Spectrum. Enviei a foto ao Claudio que, mesmo vendo a inscrição, ainda não estava convencido que era uma ULA inglesa. Ele me explicou que na época elas eram raríssimas e usadas apenas como objeto de estudo para a nacional, então era pouco provável que a Microdigital tivesse acesso à elas para a montagem em massa.

Bem, nesse momento era eu quem não estava convencido que aquilo não era a ULA inglesa e numa feliz coincidência, o Claudio Moisés me escreveu dizendo que tinha uma placa idêntica e poderia me cedê-la para os testes. Mais alguns dias de expectativa e a placa chega nas minhas mãos. (Fotos abaixo, de minha autoria)


A curiosidade era grande, então fui direto na ULA, claro. A inscrição na parte de baixo do chip era a mesma da placa do Sebastián, "6C001E".


Com um estilete, fiz uma leve pressão no dissipador que soltou facilmente. A sujeira da pasta térmica aumentou ainda mais a impaciência para saber o que era o CI.


Finalmente! A ULA é realmente a inglesa fabricada pela Ferranti. Nas fotos é possivel ver o numero 8501 indicando que foi fabricada na semana 01 de 1985, logo, janeiro de 1985. Isso realmente é interessante, já que o TK90X foi lançado em 1985. Como a ULA nacional demorou cerca de 1 ano para ser desenvolvida, quer dizer que a Microdigital conseguiu essas peças no mínimo 1 ano DEPOIS de ter desenvolvido a sua própria solução para os TKs brasileiros. O mais incrivel é que funcionários da Microdigital sequer ouviram falar na possibilidade de terem fabricado maquinas usando a ULA original, o que acaba levantando mais perguntas: A Ferranti poderia ter vendido as ULAs direto, sem o conhecimento da Sinclair? Teria a Microdigital feito um acordo e comprado diretamente da Sinclair? Seria um "desmanche" de micros ingleses, já que a ROM de algumas placas são do Spectrum 48? Acho pouco provável que consigamos a resposta...

Agradeço ao Sebastián Abreu pela enorme quantidade de fotos fornecidas, mas para simplicidade do artigo acabei usando só algumas. Também ao Claudio Moisés pela placa que me possibilitou confirmar sem sombra de dúvidas que a ULA era a original da Ferranti.


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