O TKPlus

Em 17 de Junho de 2010



Nesse período que andei montando as IDSs do pessoal, para os testes eu usava o meu "TK de bancada", hoje um TK95 não tão bonito mas que sempre funcionava bem. De um certo tempo pra cá o teclado começou a falhar bastante a às vezes eu tenho que literalmente martelar uma tecla para que o comando apareça. Já tinha feito o TKlado que eu estava usando no meu antigo TK de bancada que acabou virando o TK128 e pensei talvez num TKlado95, mas lembrei que eu tinha um Spectrum Plus parado que até ligava, mas eu não tinha nem colocado a saída de video composto porque a membrana do teclado original estava toda rachada.


O Spectrum Plus foi uma reedição do modelo Spectrum 48, usando exatamente a mesma placa mãe, mas num gabinete um pouco maior e um teclado melhor. Na verdade a Microdigital fez o mesmo aqui no Brasil quando lançou o TK95 com seu teclado "semi-profissional" (ainda lembro dos anúncios da época), mas uma diferença que merece destaque é que o Spectrum Plus ainda podia ser comprado em forma de kit, onde você recebia o gabinete novo e montava em casa a sua placa-mãe do Spectrum 48 antigo.

Bem, o Spectrum Plus não iria servir exatamente para os meus propósitos, porque a IDS2001 nem ao mesmo funciona nele e aliado a limitação de precisar de uma TV/monitor PAL, já me fizeram desistir de usá-lo. Porém, por que não colocar um TK dentro do gabinete original? Olhando as placas elas pareciam ser iguais o suficiente para servir e eu ainda teria espaço extra para montar os mods de video composto e saída RGB.

Muitos irão achar que cometi um sacrilégio ao desmontar um Spectrum Plus, mas no fim das contas o que eu queria mesmo era um micro na bancada que fosse usável com as interfaces nacionais e com um ótimo teclado para que eu não precisasse ficar brigando ao digitar.


Nas primeiras comparações, os problemas mais óbvios eram a caixa do modulador do RF que tem a saida mais a esquerda e a entrada do joystick que não tem no Spectrum original, mas vamos por partes. Primeiro vamos resolver o modulador. Como eu não pretendo usar RF, posso retirar a caixa toda e colocar uma saída RCA para o Audio e o Video Composto.


Como agora serão dois conectores ao invés de um só, o espaço da saída precisou ser aumentado para caber. Note na terceira foto que cortei parte da placa-mãe para um melhor encaixe do conector.


Agora é só fazer os furos dos parafusos.


Por causa do novo corte dos conectores, com a tampa fechada ficou um detalhe que precisou de ajuste. Nada que alguns segundos de uma boa lima não resolvam.


O joystick também não teve nenhum segredo. Era só abrir um corte no plástico do tamanho do conector. Como todos os cortes já eram quadrados, digo, com cantos retos, resolvi fazer este também reto para seguir a mesma linha do gabinete original.


Para facilitar o uso, eu queria que a saida RGB também ficasse na parte de trás e tinha um bom espaço vago ao lado da entrada da fonte. O único problema é que o Spectrum Plus tem pés retráteis que ficam embutidos no gabinete. Justamente esses pés são a minha única reclamação neste micro. Com os pés "abertos" o conector de expansão fica lá no alto e qualquer interface conectada fica "voando" e além disso a inclinação é muito grande o que acabava tornando o teclado desconfortável principalmente para jogar. Então, como nunca vou usá-los, posso retirá-los. Com a Dremel em questão de segundos eu retirei todo o plastico extra, ficando apenas o buraco por onde os pés saiam. Depois eu dou um jeito nisso.


A minha saída RGB eu montei num pedaço de placa padrão, dada a simplicidade do circuito. Tive o cuidado de medir a placa antes de montar para que ela passasse um pouco do tamanho do buraco do gabinete mas que ainda fosse suficiente para caber no espaço. Esse circuito apesar de ter sido ligeiramente modificado depois, virou um artigo. Leia mais detalhes no uma saída RGB para o TK90X


Para disfarçar o buraco do pé, eu usei um papel que parece borracha, o E.V.A. Cortei um pedaço exatamente do tamanho da placa e com pequenas gotas de cola de Cianoacrilato (super bonder, super cola, tri bond, colamil, etc, etc) fiz a fixação na base da placa. O Cianoacrilato pega que é uma beleza no E.V.A...


Depois do corte para o conector na parte de tras, a fixação da placa eu fiz por baixo do gabinete com três parafusos. Até que o E.V.A. disfarçou bem o buraco e levando em conta que ele normalmente não ficará aparente, consigo viver em paz. ;)


Atrás, o corte para o RGB. Ainda precisa dar um pequeno ajuste na tampa de cima pro conector encaixar melhor.


Alguns segundos de lima bastaram para dar mais um ou dois milímetros de folga.


Para a saída de video composto fiz uma placa parecida com a de RGB, para ocupar dessa vez o espaço do outro lado do micro. Essa saída nova eu também fiz um tutorial a parte e mais detalhes podem ser vistos no artigo TK90X A/V Reloaded. A placa teve que levar um pequeno corte numa das laterais por causa do "poste" plástico de fixação do botão de Reset.


Como na placa do RGB, esta também levou uma camada de E.V.A. na parte de baixo para disfarçar o buraco original por onde saia o pé. Não vou entrar em detalhes aqui sobre as ligações das saidas de video Composto e RGB. Veja mas informações sobre elas nos seus respectivos artigos.


Esses conectores RCA não são grande coisa e pra garantir eu coloco pequenas gotas de solda nas laterais para que o miolo não rode e não tenha perigo de arrebentar o fio. Aqui também tinha o enorme problema do terminal ter ficado muito próximo do CI, então para garantir um pouco de cola quente.


Com as duas saidas de video montadas...


O micro não estaria completo se não tivesse um chaveamento de ROM TK/Spectrum, então é hora de retirar a ROM original e soquetar uma Eprom com as duas ROMs gravadas. Na verdade usei uma EEprom Atmel sem janela.


Eu já estava estudando um local para colocar a chave das Eproms quando lembrei do engenhoso circuito do Flávio Matsumoto, onde a troca da ROM era feita pelo botão do Reset. Como o Spectrum Plus já vem com o botão do Reset numa das laterais, ficaria ótimo nesse caso. Aproveitei a idéia básica do mod e fiz uma variação. O original preve a troca do ROM apenas se o botão ficar pressionado por mais de dois segundos. No meu caso eu achei desnecessário e eliminei o temporizador RC, fazendo com que a troca ocorra a cada toque no botão de Reset independente do tempo. Recomendo uma leitura no excelente artigo do professor Flávio, onde ele explica com detalhes o funcionamento do circuito.

Eu usei um 74LS74 para chavear o circuito e como eu não tinha planejado inicialmente eu optei por montá-lo sobre um outro 74LS74 na placa original proximo a ROM. Note nas fotos que eu dobrei e cortei todos os terminais do CI deixando apenas os terminais da alimentação e com uma gota de Cianoacrilato eu fixei-o sobre o outro CI tendo o cuidado de não deixar os terminais tocarem no CI de baixo a não ser os pinos de VCC e o GND que foram soldados.


Que gambiarra... Viu? Eu também faço coisa feia...

Agora é voltar com o botão de Reset original


O teste é básico. Ligou, TK, apertou reset, Spec, apertou de novo, TK...

(A faixa no meio da foto é a varredura do monitor, obviamente não faz parte do mod e só aparece quando se fotografa o CRT)


Mais um detalhe. O TK95 vinha sem o diodo D1 na placa. Alguem já deu uma boa explicação sobre esse diodo e assim que eu encontrar eu atualizo as infos aqui.


Aliás, a membrana eu comprei na RWAP NOVA por 20 libras (ouch!). Fiz o pedido quando comecei a trabalhar e demorou três semanas pra chegar. Instalei, mas esqueci foi da foto.

Tudo pronto, só fechar. Mas percebi que na tampa ainda tinha um poste plástico de um parafuso central que no TK cai exatamente em cima da entrada do joystick. Nada que uma Dremel não resolva.


Agora foi...


Fiz os últimos testes já com o micro completamente montado e o funcionamento foi perfeito. O teclado é macio e confortável, superando em muito o do TK95 mesmo quando ele funcionava bem. Agora eu paro de reclamar que os comandos não estão saindo quando eu estiver na bancada. :D

Abaixo algumas telas comparando as saidas RGB e Video composto. Notem que as imagens do CRT sempre aparecem umas linhas estranhas e padroes coloridos por causa da foto.


Enfim, tive momentos agradáveis e uma boa diversão ao montar esta máquina. Espero que este artigo sirva de inspiração para os amigos leitores e não deixem de dar suas opiniões.

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